Desde a renúncia do
Papa Bento XVI muitas pessoas têm me perguntado se há alguma relação entre os
Papas e Apocalipse 17, os 8 reis, e inúmeros sites e blogs na internet têm
escrito textos, alguns sinceros, alguns sensacionalista, outros até são
escritos apenas para fazer piada com a situação. Por isso decidi expor também minha interpretação sobre Apocalipse 17 sem ferir nenhuma regra de hermenêutica
bíblica. Estou aberto a estudos sobre a questão, e por serem acontecimentos
futuros, não serei presunçoso a ponto de afirmar que essa é exatamente a
interpretação que Deus e João pretendiam ao escrever o Apocalipse, mas é a
única maneira que este texto passou a fazer sentido em minha vida, em momento algum durante essa interpretação minhas sugestões vão contra a revelação dada a Ellen G. White. Esse post não tem fim
apologético, não vou atacar nenhuma das outras interpretações e nem aqui
considera-las a fundo, apenas vou apresentar esse pontos de vista. Por fim, não
tome minhas palavras como palavra final no assunto, leia, pesquise, estude a
palavra de Deus e veja se você também concorda com meu ponto de vista.
Para início de
conversa, devemos saber que Apocalipse 17 é considerado por muitos eruditos
como uma crux teológica, isso é, um
ponto de extrema dúvida entre os intérpretes, onde até mesmo os mais experientes
exegetas bíblicos não podem dar um ponto final sobre o assunto, por isso há
tantas e diversas interpretações.
Antes de entender qualquer uma das
interpretações dadas ao capítulo, precisamos entender:
- A besta que sobe do mar em Apocalipse 13 é a mesma de Apocalipse 17 ou representam poderes diferentes?
- Onde na linha cronológica está posicionada a visão? Nos tempos de João ou está localizada em algum ponto de referência posterior e João é colocado ali em espírito?
- Como as cabeças devem ser interpretadas?
Vamos tomar aqui um
breve tempo para tentar responder cada uma dessas perguntas, e contextualizar
todo o capítulo a partir daqui.
IDENTIDADE DA BESTA DE APOCALIPSE 17
O apocalipse apresenta
várias bestas em vários contextos diferentes. Caso cada uma dessas bestas não
sejam corretamente identificadas, faremos uma "besteira" em nossa
interpretação, por isso, faremos uma comparação entre todas as bestas do
apocalipse
Para tal, é necessário
fazer uma comparação das características de todas as bestas
É certo que a besta de
Apocalipse 13 e 17 têm algumas semelhanças dadas pelo texto, que são:
- Ambas têm sete cabeças e dez chifres. (Ap 13:1 e 17:7)
- A besta que sobe do mar tem "uma boca que profere... blasfêmias" (Ap 13:5) enquanto a outra está "repleta de nomes de blasfêmias" (Ap 17:3).
- Ambas são poderes que se opõem a Deus, Jesus e os santos (Ap 13:6-8 e 17:14).
- A besta que subiu do mar tem diademas sobre seus chifres (Ap 13:1) já o texto não apresenta diademas na besta de apocalipse 17.
- A besta de apocalipse 17 tem cor vermelha (escarlate) e não se fala nada sobre a cor da besta que surge do mar.
- A besta que surge do mar tem aparência de um Leopardo, Urso e Leão (Ap 13:2), no entanto, não se menciona a aparência da besta de apocalipse 17.
- A besta que sobe do mar é adorada por "todos os que habitam sobre a terra, cujo os nomes não estão escrito no livro da vida do Cordeiro" enquanto a besta de apocalipse 17 será adorada por "os que habitam sobre a terra, cujo os nomes não estão escrito no livro da vida desde a fundação do mundo." (essa diferença será mais amplamente abordada posteriormente.todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro
Apocalipse 13:8todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro
Apocalipse 13:8 - E a mais óbvia, a besta que surge do mar, vem do mar, enquanto a besta sobre a qual a babilônia está assentada surge do abismo.
Isso sugere que essas
bestas são diferentes, apesar de partilharem algumas características e terem
objetivos semelhantes, porém, o dragão de apocalipse 12 compartilha ainda mais
características com a besta de apocalipse 17, além de não apresentar nenhuma
diferença:
- Sete cabeças e dez chifres (Ap 12:3 e 17:7)
- A mesma cor (Ap 12:3 e 17:3)
- Ambos se opõem a Jesus e ao Seu povo (12:4-17 e 17:14)
Ainda o termo "era e não é, está para
emergir" nos lembra de Deus o Pai, que é chamado como "aquele que
era, que é e que há de vir", usando todos os verbos idênticos em ambas as
frases. Isso retrata a besta como uma paródia, uma contrafação ao Deus eterno,
em outras palavras "a besta aspira ser Deus..." Mas com a diferença
que ao final ela será derrotada, Cristo e Seus seguidores triunfarão.
Para avançarmos no
estudo, precisamos entender o que é o abismo de apocalipse. Esse abismo é
mencionado em apocalipse 7 vezes:
- Ap 9:1 - A estrela que cai do céu tem a chave do abismo
- Ap 9:2 - Essa estrela abriu o poço do abismo
- Ap 9:11 - O rei dos gafanhotos é o anjo do abismo, Apoliom.
- Ap 11:7 - A besta que sobe do abismo mata duas testemunhas.
- Ap 17:8 - A besta cuja a prostituta se assenta "era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição."
- Ap 20:1 - Um anjo desce com a chave do abismo
- Ap 20:3 - Esse anjo amarra Satanás no abismo
Para entender essas
passagens, analisaremos uma a uma
- Sem dúvida, a estrela cadente capaz de abrir o poço do abismo de Ap 9:1-2 é Satanás, que fora expulso do céu (Lc 10:18) com seus anjos caídos (Ap 12:4 e 9)
- Ver 1
- O rei dos gafanhotos, chamado de Abadom/Apoliom ou destruídos só pode ser a estrela cadente, Satanás, cujo exército demoníaco ataca a humanidade.
- A besta que sobe do abismo e por meio da Revolução Francesa mata as duas testemunhas de Deus (Antigo e Novo Testamento) é novamente Satanás. A relação e a identidade dessa besta não será considerada contundentemente via bíblia nesse estudo por não ser o tema do estudo. Maiores informação leia O Grande Conflito capítulo 15.
- Essa é a besta que queremos descobrir a identidade
- Aqui ocorre uma grande inversão. O poder de abrir o poço do abismo que fora dado a Satanás em Ap 9:1 agora lhe é tirado, e este é amarrado e confinado no abismo por 1000 anos. A besta de apocalipse 17:8 passa por essa mesma situação, e aqui é esclarecido as palavras simbólicas a respeito da besta de Ap 17.
- Ver 6.
Além dessas, o texto
bíblico usa a palavra abismo mais duas vezes. Em Romanos 10:7 é o reino dos
mortos, e em Lucas 8:31 os demônio imploram para não serem mandados de volta
para o abismo. Portanto, é evidente que todas as referências bíblicas a abismo
estão ligadas a Satanás. Assim, é bastante conclusivo que â besta que "era
e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição" é
ninguém menos que Satanás, que em Apocalipse 12 é apresentado como o grande
dragão vermelho. Por isso, sugiro que compreendamos a besta sobre a qual a
prostituta babilônica está assentada como sendo o próprio Satanás, que opera
através de poderes políticos.
Obs. A identidade da
besta de apocalipse 13 no entanto, não será estudada por não ser relevante para
o desdobramento da interpretação do capítulo.
CONTEXTO E TEMPO DA PROFECIA
Para entendermos o
desdobramento da profecia, precisamos entender um breve contexto do livro, do
bloco profético e da sequência específica da profecia.
Apesar da polêmica de
qual a estrutura do livro do apocalipse, ninguém pode negar que a primeira
parte (Ap. 1-14) consistem em uma série histórica de eventos que abrangem desde
o tempo de João à consumação final. A segunda parte (Ap. 15-22) lida apenas com
eventos do tempo do fim, sendo chamada de a parte escatológica (referente ao
final futuro) do livro do apocalipse.
Apocalipse 15 e 16
mostram as sete ultimas pragas. A sexta praga descreve a secagem do rio
babilônico Eufrates, a vinda do rei do oriente (Jesus) e o Armagedom. Já a
sétima praga descreve o julgamento de Babilônia, e a sua divisão em três
partes. Esse juízo é descrito em detalhes a partir do capítulo 17, portanto, é
evidente a conexão das pragas e os capítulos posteriores. Ap 17:1 mostra um dos
anjos que tinham as sete taças apresentando a João o julgamento da meretriz
babilônia descrito nos capítulos 17-19, enquanto o julgamento da besta do
abismo só é descrito no capítulo 20, e finalmente o outro anjo que tinha outra
das taças apresenta a noiva do Cordeiro, a Nova Jerusalém de uma maneira mais
detalhada em 21:9 - 22:6. É nesse contexto que devemos interpretar Ap 17:8-12.
A grande pergunta que
fica é se essa visão está localizada nos tempos de João ou está em algum ponto
de referência posterior e João é colocado ali em espírito?
A frase "um
existe" deve, de uma maneira ou de outra, relacionar-se com João. Há um
tempo específico em que João se encontra em que uma das sete cabeças também
"existe". Estaria o anjo se referindo ao final do primeiro século,
tempo em que João vivia, ou estaria o anjo colocando João em algum ponto no
futuro e narrando a profecia a partir dali?
Com respeito às atividades do fim do tempos, há uma
ênfase mais forte sobre os chifres e a besta do que sobre as cabeças. As
cabeças não são diretamente mencionadas como estando envolvidas na batalha
final. Isto pode indicar que as cabeças estão mais relacionadas com o fluxo da
História e, talvez, com a própria meretriz, ao passo que os chifres em
combinação com a besta desempenham um papel importante na batalha final contra
Jesus e na batalha contra a meretriz. Parece também evidente quando olha-se o
uso dos tempos e dos indicadores em relação a aparência dos chifres. Vários
verbos empregando o tempo futuro descrevem as atividades dos chifres, que irão
obter poder apenas no futuro, em colaboração com a besta “por uma hora”. Esses
chifres atingirão o poder no futuro e colaborarão com a besta “por uma hora”
POSIÇÃO DO PRIMEIRO SÉCULO
A maior parte dos intérpretes bíblicos históricos
pré-milenialistas (que crêem que Jesus volta antes do milênio) defendem a ideia
de o anjo estaria se referindo ao primeiro século, dizendo que "um
existe" no primeiro século. Seguindo esse ponto de vista, obrigatoriamente
este "um existe" deve ser Roma Imperial, uma vez que não havia nenhum
outro poder que pudesse ser confundido como poder mundial no fim do primeiro
século. Assim sendo, as cinco cabeças que já haviam sido derrubadas só poderiam
ser Grécia, antes dela Pérsia, antes dela Babilônia, antes dela Assíria e por
fim, a primeira cabeça nessa ordem seria o Egito, e com a queda de Roma
Imperial, o próximo poder que dominaria o mundo só poderia ser Roma Papal.
1ª Cabeça
|
300
anos
|
2ª Cabeça
|
3ª Cabeça
|
4ª Cabeça
|
5ª Cabeça
|
6ª Cabeça
|
7ª Cabeça
|
Ferida
mortal
|
Egito
|
Assíria
|
Babilônia
|
Pérsia
|
Grécia
|
Roma Imperial
|
Roma Papal
|
||
1600 - 1200
a.C
|
900 - 607 a.C
|
606 - 536 a.C
|
536 - 331 a.C
|
331 - 146 a.C
|
146 a.C - 476
d.C
|
476 - 1798 ou
a 8ª cabeça
|
||
400 anos
|
293 anos
|
70 anos
|
205 anos
|
185 anos
|
621 anos
|
Segundo esses intérpretes, há indícios no livro do
Apocalipse que apontam o Egito como primeiro império, as suas evidencias são:
- O Egito é mencionado nominalmente em Apocalipse 11:8. Mesmo que esse Egito seja um Egito simbólico (porque é dito que ali o Senhor foi crucificado) ele ainda traz lembrar do antigo império dos faraós.
- É o mais antigo império mencionado em Apocalipse.
- As primeiras cinco trombetas e as primeiras cinco pragas seguem o mesmo padrão das pragas egípcias. Portanto, ele fala acerca do “tema do êxodo do Egito” em Apocalipse.
No entanto, há alguns pontos frágeis nessa
interpretação, como por exemplo:
- Não há nenhuma profecia, tanto em Daniel quanto em Apocalipse que traga a tona novamente os reinos de Egito e Assíria, apenas menção do primeiro alegoricamente.
- O fato de Roma Papal durar 1290 anos até 1798 onde é ferida de morte, significa que durou mais que qualquer outro império e mais que os primeiros cinco impérios combinados, mesmo se comparado com 6.000 anos de história terrestre não pode ser considerado "pouco tempo", ainda mais se contarmos que ainda seria o poder vigente hoje.
- Há dois momentos históricos que nenhuma das cabeças assumem o controle (em vermelho na tabela), algo que não é apontado pela profecia.
POSIÇÃO DA VISÃO FUTURA
Em Ap 17:6 encontra-se
a chave para entendermos o tempo em que a profecia é exibida. O texto diz que
"a mulher estava embriagada com o sangue dos santos, e do sangue das
testemunhas de Jesus" no mesmo contexto em que explica que "um
existe..." Portanto, essa cabeça existe ao mesmo tempo em que se inicia o
julgamento da meretriz, depois dela haver se "embriagado com o sangue dos
santos" que nos remete ao final dos 1260 anos de perseguição, e "do
sangue das testemunhas de Jesus" que nos remete à revolução francesa. Todo
o cenário de Juízo começa a ser formado após "um tempo, dois tempos e
metade de um tempo" quando o santuário é purificado. Assim, segundo essa
posição, o tempo da visão é o ano de 1844, onde inicia-se o julgamento da
grande meretriz.
Sete Papas
É a hipótese mais recente de interpretação, e a que mais abre espaço para sensacionalismo (não que esse seja o motivo dela estar errada). Não são muitos os
intérpretes conservadores que consideram essa hipótese, mas alguns sensacionalistas
tentam encaixar por meio desta a ideia de que essas cabeças são 7 papas desde
1929. Para tal, precisamos propor que:
- A besta que emerge do mar e a besta de Apocalipse 17 são uma e a mesma besta, opção que já descartamos no início do estudo, e que uma de suas cabeças - a sexta, a que existe - não tenha sido ferida, mas simbolize o Papado ferido, algo que corrompe completamente a leitura natural do texto. Não obstante, ainda teríamos que supor que em Apocalipse 13 as cabeças da besta sejam períodos históricos, e em Apocalipse 17 as mesmas cabeças seriam reis literais. Isso é um violento ataque à hermenêutica bíblica.
- Outra opção seria supor que como o texto menciona que as cabeças são montes, elas estejam se referindo a Roma, e que a besta de Apocalipse 17 seja Satanás, mas a prostituta Babilônia seja a própria besta que emerge do mar, o papado, e que a descrição das cabeças e chifres sejam intercaladas entre ambas as bestas. Para tal, precisamos propor que as cabeças da besta do abismo identificam a cidade dos sete montes, Roma, e a mulher é a besta que sobe do mar, o papado, assentado sobre Roma, onde as suas sete cabeças identificam os sete últimos reis de Roma, ou, sete papas. A confusão dessa interpretação, é que a sexta cabeça, ferida de morte, não poderia ser os 131 anos que os defensores dessa interpretação afirmam ser entre 1798 - 1929, pois se a Meretriz e a Besta que emerge do mar são uma e a mesma besta, e uma de suas cabeças foi ferida de morte, isso implica que um dos reis foi ferido de morte, o que é explicado como sendo a tentativa de homicídio sofrida por João Paulo II, e não o período de perda do estado papal, apesar deles mesmos usarem a terminologia "ferida de morte" para os 131 anos de perda do estado papal, o que causa um paradoxo na teoria e força a leitura e interpretação.
- Ainda uma terceira opção seria supor que a besta do abismo não é satanás e nem mesmo a besta de apocalipse 13, mas uma besta completamente nova, simbolizada pela Europa ou algum outro poder (não há um consenso entre os intérpretes sobre este símbolo). Para esse caso, a contagem se inicia no primeiro papa eleito após 1929, que seria Pio XII, desconsiderando Pio XI por já ter sido eleito antes de 1929, assim, o tempo da profecia seria entre 2004 a 2013, que foi o reinado de Bento XVI, por que é nesse tempo que viria o entendimento sobre essa profecia. A fraqueza dessa hipótese é que não há nenhuma outra profecia bíblica que seja dada no tempo em que ela é entendida, além de que não há nenhum elemento no texto que indique que a profecia é dada na data de seu entendimento.
Outra coisa que pesa contra essas hipóteses, do ponto de vista Adventista do Sétimo Dia, é que sabemos que Jesus não voltaria antes que essa profecia se cumprisse, essa lógica nos leva a dois caminhos:
- Cristo tem dia e hora marcado pra voltar, isso é, assim que acabar esses sete/oito papas.
- Cristo jamais poderia voltar antes de 2014 não importa o que fosse feito.
"Houvesse os adventistas daqueles primeiros dias [1844] prosseguido mantendo sua confiança na Mão guiadora que havia sido vista em suas experiências passadas, teriam eles contemplado a salvação de Deus. Se todos os que haviam trabalhado de forma unida na obra de 1844 houvessem recebido a mensagem do terceiro anjo e a proclamado no poder do Espírito Santo, o Senhor teria operado poderosamente em conexão com tais esforços. Um dilúvio de luz ter-se-ia derramado sobre o mundo. Há muitos anos os habitantes da Terra haveriam sido advertidos, o encerramento da obra completado, e Cristo já teria voltado para a redenção de Seu povo." Testemunhos Papa a Igreja, Vol. 8, 116
Outra vez ela afirma quase a mesma coisa:
"Houvessem os adventistas, depois do grande desapontamento de 1844, sustido firme sua fé e seguido avante unidos, segundo a providência de Deus lhes abria o caminho, recebendo a mensagem do terceiro anjo e no poder do Espírito Santo proclamando-a ao mundo, haveriam visto a salvação de Deus, o Senhor teria operado poderosamente com os esforços deles, a obra haveria sidoconcluída, e Cristo teria vindo antes para receber Seu povo para dar-lhe o seu galardão. ... Não era a vontade de Deus que a vinda de Cristo houvesse sido assim retardada. ..." Eventos Finais, 37-38
E mais uma vez ela afirma:
Para Ellen White, Jesus já estava em condição de voltar desde 1888, o que sugere que esses sete reis não são sete gerações de reis, mas sim, poderes específicos que estão prontos para reinar, mas ainda não assumiram o poder por causa do atrazo do povo de Deus, mas já poderiam ter assumido o poder em 1888, fazendo que os acontecimentos finais fossem rápidos (Rm 9:28 e 1 Ts 5:1-7). O que reforça ainda mais o ponto de vista a seguir apresentado:"Houvesse a igreja de Cristo feito a obra que lhe era designada, como Ele ordenou, o mundo inteiro haveria sido antes advertido, e o Senhor Jesus teria vindo à Terra em poder e grande glória." O Desejado de Todas as Nações, 634.
Interpretação Sugerida
Assim sendo, a cabeça
ali existente só pode ser o poder ainda vigente nos dias de hoje, o da besta
que sobe do abismo de Ap 11:7 que começou a exercer poder a partir da revolução
francesa e exerce até hoje, o poder religioso ateísta, cujo maior representante
são os Ministérios da Educação em todos os países, que conseguiram, mesmo numa
nação protestante como os EUA, proibir qualquer tipo de oração ou reza em sala
de aula. Dessa maneira, os impérios que a antecederiam seriam o chifre pequeno,
Roma Papal, precedido pelos 4 animais de Daniel 7, sendo estes Roma Imperial,
antes dela Grécia, antes dela Persa e finalmente Babilônia, e com a queda do
poder religioso ateísta, o poder seguinte seria a Besta que emerge da Terra.
1ª Cabeça
|
2ª Cabeça
|
3ª Cabeça
|
4ª Cabeça
|
5ª Cabeça
|
6ª Cabeça
|
7ª Cabeça
|
Babilônia
|
Persia
|
Grécia
|
Roma Imperial
|
Roma Papal
|
Besta do
Abismo
|
Besta da Terra
|
606 - 536 a.C
|
536 - 331 a.C
|
331 - 146 a.C
|
146 a.C - 476 d.C
|
476 - 1798 d.C
|
1798 - 7ª cabeça
|
A partir do Decreto Dominical
|
Por que a besta que
emerge da terra - a saber, os EUA - toma o lugar da sétima cabeça, postergando
a identificação da nação como a besta que emerge da terra apenas para o futuro,
ela já não seria identificada como a besta hoje?
Podemos identificar a
nação como a besta hoje, mas ela ainda não assumiu o poder da besta, mesmo
sendo a nação mais importante do mundo, pois:
- Ap 13:3 aponta que após a ferida mortal de uma das cabeças da besta que emerge do mar, a que representaria o chifre pequeno, o papado, fosse curada toda a terra se maravilharia após ela, evento que não ocorreu na restauração do Vaticano em 1929 que por muitos é apontado como sendo a cura da ferida. Nem em seu declínio o papado era tão insignificante no cenário mundial como se tornou após 1929, apenas 32% da população mundial é cristã, numero que vem caindo a cada ano (3% de queda de 2010 para 2011) sendo que apenas 12% da população mundial aceita o Papa como líder da igreja.
- A Besta que emerge da Terra aparece num contexto em que devolve a autoridade à besta que emerge do mar, curando-lhe a ferida mortal, "e faz com que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta", levando o mundo a novamente adorar a primeira besta como ocorreu na idade média, fato que não aconteceu em nenhum momento após 1929.
- A frase "Exerce todo o poder da primeira besta em sua presença" sugere que essa besta só se levantará após ter as mesmas prerrogativas que a primeira besta, o que ocorrerá apenas quando assinar o decreto dominical.
- Ap 17:12 conota um período de tempo curtíssimo "uma hora" que pela construção gramatical sugere que o "pouco tempo" da sétima cabeça é literalmente pouco tempo, e não pouco tempo se comparado com a existência do mundo.
Sendo assim, a ferido apenas iniciou o processo da cura em 1929, mas não foi ainda curada. Além disso, essa
interpretação sugere que os reinos se iniciem em babilônia pois:
- O apocalipse amplia a descrição e significado das profecias de Daniel, jamais retrocede para antes da profecia de Daniel, o que invalida o uso de Egito e Assíria na profecia, uma vez que o próprio Daniel começa a contagem dos reinos a partir da Babilônia.
- Se o Egito aparece de forma figurada no livro de apocalipse, o contexto da visão é o grande conflito entre Babilônia e a Nova Jerusalém, sendo Babilônia e os animais de Daniel 7 frequentemente mencionados por toda a narrativa do apocalipse.
A OITAVA CABEÇA
A oitava cabeça “procede dos sete”, mas não é “um
dos sete”, o que indicaria que a besta é relacionada a todas as sete
cabeças, mas não deve necessariamente ser identificada como sendo uma delas.
Isso é sustentado pelo fato de as sete cabeças serem introduzidas com um artigo
definido (“as sete”, “as dez”, “o outro”), enquanto que para a oitava cabeça
falta o artigo distinguindo-a das outras. A ideia parece ser de que a oitava
cabeça resume todas as sete e é o seu clímax, mas não é como as outras. “Essa
besta não é um dos sete reis/reinos (verso 10), mas personifica a totalidade da
maldade delas...”
O
ponto mais importante para a identificação da oitava cabeça estaria no verso
11, onde diz que "a besta que era e já não é, é ela também o oitavo, e
é dos sete, e vai à perdição."
A oitava cabeça
não pode ser a sétima cabeça ou qualquer outra como alguns afirmam, uma vez que
a sétima cabeça é uma só cabeça da besta, enquanto a oitava cabeça é a própria
besta que era e já não é e que sobe do abismo no verso 8.
E os chifres?
Os dez chifres são poderes políticos durante
o tempo da sétima cabeça, que apoiarão a besta (Ap 17:13). “As nações da Terra,
representadas pelos dez chifres, aqui têm o propósito de se unir com a
‘besta’... para forçar os habitantes da Terra a beber o ‘vinho’ de
Babilônia..., isto é, unir o mundo sob seu controle e eliminar todos os que se recusam
a cooperar....”
Os dez chifres, a Besta
do Mar, a Besta da terra e o Falso profeta marcarão finalmente o dia e a hora
da execução dos santos, que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho
de Jesus, e então acontece o livramento especial, e aparece no céu uma mão
segurando os dez mandamentos, com um brilho especial sobre o quarto mandamento,
e nesse momento não há desculpas, todos percebem que foram enganados, e é
impossível descrever a angústia e agonia daqueles corações, que revoltados, e
não mais podendo descontar suas chagas e raivas sobre os santos, se voltam a
seus líderes religiosos "E os dez chifres que viste na besta são os que
odiarão a prostituta, e a colocarão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a
queimarão no fogo." Ap 17:16. Acontecendo assim, o julgamento da meretriz,
o julgamento da Babilônia, adversária de Deus, que sustenta as falsas doutrinas
e se prostituiu com elas com todos os povos da terra.
E a besta que sobe do abismo?
Apesar de
já a termos retratado anteriormente como o próprio Satanás, a compreensão da
frase "era e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição" de
Ap 17:8.
A Besta
|
Satanás
|
Era
|
Existiu
e atuou (Ap 12)
|
E já
não é
|
Foi
aprisionado no abismo, não podia mais enganar a ninguém (Ap 20:1-3)
|
Há de
subir do Abismo
|
Após o
milênio ele é solto, reúne os oponentes de Deus ressurretos e ataca a Noiva
de Cristo, a Cidade Santa, a Nova Jerusalém (Ap 20:7-9)
|
Irá à
perdição
|
Após o
milênio, será lançado no lago de fogo e perecerá (Ap 20:9-10)
|
A oitava
cabeça não pode ser ninguém além de Satanás, não pode ser um papa, não pode ser
um reino, não pode ser um poder, pois o texto da escritura afirma que "os
que habitam na terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do
mundo se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que
virá." Ap. 17:8 Diferente da besta que emerge do mar, que em Ap 13:8 é
descrita como adorada por "todos que habitam sobre a terra", mas não
"desde a fundação do mundo", o que implica que ela não será adorada
após a ressurreição, o milênio, ela nem mesmo existirá durante o milênio.
Esse
texto de Ap 17:8 exige que haja uma ressurreição para a "admiração"
dessa besta, e essa ressurreição só haverá após o milênio (Ap 20:7-9) e todos
os inimigos de Deus, desde a fundação do mundo, se admirarão da besta, o que
significa que essa besta deve estar em pé após o milênio. Em Ap 19:20 a besta
que emerge do mar (de Ap 13) e o falso profeta são lançados no lago de fogo e enxofre,
deixando de existir e iniciando o período do milênio, onde o único deles a
continuar vivo será o dragão, a besta do abismo, que não é atirado no lago, mas
em Ap 20:2-3 é aprisionado no abismo por 1.000 anos, sendo ele então, o único
dos poderes a permanecer depois do milênio.
E depois?
Por fim
Satanás reúne Gogue e Magogue (que não podem ser China, Japão, Rússia ou quem
quer que seja, pois não sobreviverão ao milênio) que representam "todos os
que habitam sobre a terra, cujo o nome não estão escritos no livro da vida
desde a fundação do mundo" e já que perderam a sua prostituta, grande
cidade (Babilônia) atacam a noiva de Cristo, a Cidade de Deus (A Nova
Jerusalém), mas nesse momento, cai o fogo consumidor de pecado da glória de
Deus do céu, e "Ele mesmo vos consumirá de todo; não se
levantará por duas vezes a angústia" Naum 1:9
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