quinta-feira, 28 de março de 2013

Páscoa: Coelho no Ovo e Cordeiro na Cruz

 ♫"Coelinho da páscoa que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos, três ovos assim.
Coelhinho da páscoa que cor eles têm? Amarelo, vermelho e verde também..."♫

Tudo tão redondo, tudo tão doce!! Chegou a páscoa sem dúvida! Doce época para os comerciantes, uma estimativa de aumento de venda de chocolates de pelo menos 25% frente a uma supervalorização do chocolate em forma de ovo de 500 a até 1000%... ah, momento memorável...

Independente de sua crença, cor, tamanho ou idade, você já descobriu, um dia, que coelhos não põem  ovos, especialmente de chocolates, e então, sem dúvida, lhe veio a pergunta: "O que tem a ver o tal do coelho com o tal do ovo?" Pergunta essa que todos já fizemos, mas poucos vão buscar a resposta.

Para responder essa pergunta, precisamos voltar num tempo em que o próprio cristianismo estava longe de se tornar uma religião. Em várias antigas culturas espalhadas no Mediterrâneo, no Leste Europeu e no Oriente, observamos que o uso do ovo como presente era algo bastante comum. Em geral, esse tipo de manifestação acontecia quando os fenômenos naturais anunciavam a chegada da primavera.

ORIGEM DOS SÍMBOLOS
Não por acaso, vários desses ovos eram pintados com algumas gravuras que tentavam representar algum tipo de planta ou elemento natural. Em outras situações, o enfeite desse ovo festivo era feito através do cozimento deste junto a alguma erva ou raiz impregnada de algum corante natural. Atravessando a Antiguidade, este costume ainda se manteve vivo entre as populações pagãs que habitavam a Europa durante a Idade Média.

Nesse período, muitos desses povos realizavam rituais de adoração para Ostera, a deusa da Primavera. Em suas representações mais comuns, observamos esta deusa pagã representada na figura de uma mulher que observava um coelho saltitante enquanto segurava um ovo nas mãos. Nesta imagem há a conjunção de três símbolos (a mulher, o ovo e o coelho) que reforçavam o ideal de fertilidade comemorado entre os pagãos, cujo ápice de suas festividades era a prostituição (orgia) ritual em seus templos. Nessas circunstâncias, dar um ovo simbolizava o desejo de fertilidade para a família do destinatário, e também, um sutil convite para unir-se a ele nos rituais de orgias no templo.

O símbolo do "ovo cósmico" era representado por um dos mais antigos impérios, a china, como a eternidade, o ciclo infinito da história desse mundo, e também do caráter dos deuses, que foi tomando forma até chegar ao símbolo do Yin-yang, um pouco de bem dentro do mal, um pouco de mal dentro do bem, e assim se repetia eternamente.

A entrada destes símbolos para o conjunto de festividades cristãs aconteceu com a organização do Concilio de Nicéia, em 325 d.C.. Neste período, os clérigos tinham a expressa preocupação de ampliar o seu número de fiéis por meio da adaptação de algumas antigas tradições e símbolos religiosos pagãos que o povo já estava familiarizado a outros eventos relacionados ao ideário cristão. Assim foi unido os rituais de fertilidade à páscoa cristã. A partir de então, observaríamos a pintura de vários ovos com imagens de Jesus Cristo e sua mãe, Maria.

No auge do período medieval, nobres e reis de condição mais abastada costumavam comemorar a Páscoa presenteando os seus com o uso de ovos feitos de ouro e cravejados de pedras preciosas. Até que chegássemos ao famoso (e bem mais acessível!) ovo de chocolate, foi necessário o desenvolvimento da culinária e, antes disso, a descoberta do continente americano, para que os espanhóis, em contato com os maias e astecas, popularizassem o uso de ovos no Velho Mundo, e duzentos anos mais tarde, um toque francês de culinária para fazer ovos de chocolate. Depois disso, a energia desse calórico extrato retirado da semente do cacau levemente cafeinado também reforçou o ideal de renovação sistematicamente difundido nessa época.

PÁSCOA ISRAELITA
Ok, descobrimos de onde veio o ovo e o chocolate, mas afinal, o que isso tem a ver com a páscoa cristã?

Antes de mais nada, é importante conhecer o que a bíblia chama de "dia"
·         No relato da criação de Gênesis nos é mostrado o dia começando na parte escura (tarde) e terminava na parte clara (manhã), assim sendo, a viração do dia (Gn 3:8)  era no crepúsculo, no pôr do sol. (cf. Gn 1:5, 8, 13, 19, 23, 31).
·         Lv 23:32 deixa claro que o sábado deve ser guardado "de uma tarde a outra"
·         Todas as leis cerimoniais que declaravam alguém imundo por um dia, dizia que seria "imundo até a tarde", quando se iniciaria um novo dia. (cf. Lv 11:25, 27, 28, 31, 32, 39, 40; 14:46; 15:5, 7, 10, 16, 27 etc.)

Assim sendo, o dia era do pôr do sol de um dia até o pôr do sol de outro dia.

A Páscoa fora estipulada por Deus entre a nona e décima praga egípcia, Deus estipulou a Moisés uma série de exigências para que fosse realizada a cerimônia, o capítulo 12 de Êxodo descreve essa primeira Páscoa com 6 características.
  1. Um cordeiro para toda a família, se a família fosse pequena poderia juntar com outra família (vss. 3, 4)
  2. Cordeiro macho, sem defeito, um ano de idade. (vs. 5)
  3. Cordeiro escolhido dia 10 e imolado (preparado) dia 14 de Nisan ao pôr do sol. (vss. 3, 6)
  4. O sangue do cordeiro seria passado nas ombreiras da porta para poupar essas casas. (vs. 7)
  5. O animal seria comido bem passado, sem sangue naquela noite, dia 15. (vs. 8, 9)
  6. Se sobrasse, o resto deveria ser queimado antes de amanhecer o novo dia. (vs. 10)
Seguindo a Páscoa, já se iniciava a segunda festa, a festa dos Pães Asmos, que se iniciava no dia 15 de Nissã (Lv 23:6), que perduraria por sete dias, cujo primeiro e último dia seria "santa convocação" (Ex 12:15; Lv 23:7, 8), e carregava consigo algumas exigências também:
  • Já no dia da páscoa seria comido apenas Pães Asmos e ervas amargas. (vs. 18)
  • Sete dias sem fermentos ou fermentação em casa. (vs. 19, 20)
  • Deveria ser lembrada como o dia da redenção. (vs. 17)
 É importante ressaltar que o cordeiro da Páscoa era sacrificado no dia 14 no crepúsculo, e assim que anoitecia já era dia 15 no calendário bíblico, assim eles sacrificavam o cordeiro no entardecer e o comiam quando já estava escuro junto com os Pães Asmos.

Em suma, a Páscoa fora dada para lembrar que Deus "passou por cima da casa dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas." Ex 12:27, enquanto a festa dos Pães Asmos fora dada para lembrar que "neste mesmo dia, tirei vossas hostes das terras do Egito." Ex 12:17.

PÁSCOA CRISTÃ
"Porque a lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, não pode nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano, aperfeiçoar os que se chegam a Deus." Hb 10:1.

Todos os rituais do santuário terrestre foram dados como um sombra, uma representação do que Deus realmente faria por Seu povo. Era acima de tudo, uma revelação e promessa de Seus atos futuros.

Um símbolo ou sombra reflete algo maior, mais vívido e real, e os sacrifícios da Páscoa Israelita deveriam se cumprir no ministério de Cristo a fim que não fosse mais necessário esses ritos no cristianismo hoje. E assim foi.

Seguindo os mesmos 6 passos destacados para a festa da Páscoa, Jesus cumpriu cada um deles.
  1. Cristo apenas remiu a muitos (todos quanto aceitaram), como o cordeiro remia a família. (Mt 20:28)
  2. Jesus foi o cordeiro sem defeito. (1 Pe 1:18-19)
  3. Jesus entrara em Jerusalém aclamado no domingo (dia 10), sendo assim o cordeiro escolhido (Mt 21), e fora preparado para remir a humanidade na Páscoa (Quinta-feira, dia 14). (Mt 26:2)
  4. O sangue de Cristo banharia o crente para poupa-lo do pecado e destruição. (At 20:28; Hb 10:19; 1 Pe 1:2)
  5. Cristo fora moído naquele dia, no dia em que era comida a Páscoa. (Lc 22:1, 15)
  6. O sacrifício de Cristo fora completo, sem sobras, sem brechas, sem nenhum trabalho a ser deixado para o dia seguinte. (Hb 9:26; 10:14, 18, 26)
Cristo cumpre não apenas as características da páscoa, mas ainda o significado dela, que assim como o Destruidor "passou por cima" da casa dos Israelitas, destruindo apenas os que não tinham o sinal do sangue do cordeiro, no dia do Juízo final, a destruição "passará por cima" do Israel espiritual, destruindo apenas os que não tiverem o sinal do sangue do Cordeiro de Deus.

Cristo cumpriu também a festa dos Pães Asmos. Deus disse que essa festa seria santa convocação para lembrar que "neste mesmo dia, tirei vossas hostes das terras do Egito." Ex 12:17. E foi mesmo, nesse mesmo dia, no dia da crucificação de Jesus, que o Israel espiritual foi liberto da culpa do pecado (Rm 6:20; Gl 5:1):.

Então Jesus não morreu na Páscoa?
Quatro coisas precisam ser consideradas antes de responder essa pergunta:
  1. A Bíblia afirma que Jesus comeu a Páscoa com Seus discípulos no dia de sua morte (Mt 26:18-20). Se Ele comeu a Páscoa após o pôr do sol, e o dia de se comer a Páscoa era dia 15 de Nisan, então Ele morreu no dia 15, a menos que Ele mesmo tenha adiantado a comemoração da Páscoa, coisa que Ele não poderia fazer uma vez que veio para cumprir a lei (cerimonial e moral), e não transgredi-la ou muda-la (Ml 3:10; Tg 1:17).
  2. Jesus e Barrabás foram expostos ao público a fim de que um fosse solto por ocasião da festa (Mt 27:15). A páscoa era sacrificada em família ou grupos no dia 14 (Mt 26: 18-20), mas a "santa convocação", ou seja, a festa propriamente dita ocorreria apenas no dia 15 (Lv 23:6-7). Os fariseus temiam o alvoroço da festividade (Mt 26:5).
  3. A profecia das 70 semanas marca o meio da 70ª semana como a morte de Cristo. Longe de qualquer questionamento, o estudioso Juarez de Oliveira demonstrou com cálculos astronômicos avançados que o início dessa contagem ocorre no ano 457 a.C., marcando o início da 70ª semana no ano 27 d.C., o meio dela no ano 31 d.C, e o final no ano 34 d.C. (OLIVEIRA, Juarez R. Chronological Studies Related to Daniel 8:14 and 7:24-27, Engenheiro Coelho, SP: UNASPRESS, 2004). Jesus morreu no "dia da preparação" (Mt 27:62; Mc 15:42; Lc 23:54; Jo 19:31) que era claramente o sexto dia (Ex 16:5, 22, 23, 29), nunca o dia anterior a um sábado cerimonial foi chamado de "dia da preparação". No ano 31, o dia 14 de Nisan caiu numa quinta-feira, assim, a sexta-feira da crucificação era dia 15.
  4. Ellen White afirma: "Era a ultima Páscoa que Jesus comemoraria com seus discípulos. Ele sabia que Sua hora chegara; Ele mesmo era o verdadeiro Cordeiro Pascal, e no dia em que se comia a Páscoa, devia Ele ser sacrificado." (O Desejado de Todas as Nações, 642 [Cap. Servo dos Servos])
CONCLUSÃO
Cristo fora jogado no madeiro para cumprir a cerimônia necessária para a purificação do pecado do povo. Dt 21:22-23 afirma que todo aquele que for pendurado no madeiro será "maldito de Deus" e assim mesmo que Cristo, que não conheceu pecado, se fez pecado por nós (2 Co 5:21) e por cause de nossos pecado imputados sobre Ele, Ele mesmo se tornou maldito de Deus, para que pudesse nos resgatar da nossa maldição (Gl 3:13) e pudesse nos imputar a Sua justiça.

A Páscoa, a morte do cordeiro, não teria valia alguma não fosse a consumação na segunda parte, o comer a Páscoa. Aquele hebreu que matou o cordeirinho e não o comeu ou não passou o seu sangue nos umbrais da porta, infelizmente também teve o seu primogênito ceifado. A morte de Cristo é a consumação do plano da redenção, Ele sendo o cordeiro pascal consumou o plano redentor com as belas palavras "está consumado" (Jo 19:30). Mais que um sacrifício, a Sua morte foi a consumação do plano que fora estabelecido por Deus antes de mesmo da fundação do mundo (Mt 25:34; 1 Pe 1:20).
Nunca esqueçamos de contar ao nosso próximo a razão de nossa fé, e o verdadeiro significado dos símbolos bíblicos. 

domingo, 17 de março de 2013

Para você que está pensando em Divórcio


“De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” Mt 19:6

I- O Divórcio no AT, Dt 24:1-4.


O divórcio era admitido no AT sempre que o marido encontrasse alguma coisa indecente ou vergonhosa na mulher. A expressão “coisa indecente” significava que, se o homem visse no corpo e no comportamento de sua esposa algo comprometedor, ou existisse falta de respeito, expressões grosseiras, irresponsabilidade, inaptidão aos deveres domésticos, poderia divorciar-se dela. O adultério não era motivo para o divórcio, pois a lei, em Lv 20:10 e em Dt 22:22, determinava que todo adúltero, homem ou mulher, tinha de ser apedrejado até a morte.
A maioria das igrejas define sua posição acerca do divórcio baseada mais em estatutos e normas do que naquilo que a Bíblia realmente diz. Assim, cometem erros contínuos ao longo dos anos.

Moisés e o divórcio:

É importante ressaltar que a lei de Moisés não foi a criadora do divórcio. Ele já era praticado pelas nações de Canaã bem antes de Israel chegar àquela terra. O que Moisés fez foi regulamentar um costume já existente. Portanto, não há contradição entre ele e Malaquias.

Na Lei, somente em duas situações o homem era impedido de conceder carta de divórcio à esposa:

1- Quando a esposa fosse acusada falsamente de pecado sexual pré-marital pelo marido, Dt 22:13-19;

2- Quando o homem tirasse a virgindade de uma jovem e o pai dela o compelisse a casar-se com ela, Êx 22:16,17; Dt 22:28,29.

Em nenhum lugar, o Antigo Testamento ordena ou encoraja o divórcio. O profeta Malaquias diz que Deus “odeia o repúdio”, Ml 2:16.

II- O Divórcio no Novo Testamento, MT 19:3-9
1) O ENSINO DE JESUS.
A pergunta feita pelos fariseus a Jesus não questionava o divórcio em si, mas se ele era lícito por qualquer motivo. Ao tempo de Jesus, duas correntes fortíssimas dividiam os judeus quanto ao divórcio. Eram elas as correntes de dois grandes rabinos: Shamai, que admitia o divórcio somente nos casos de infidelidade conjugal, e Hillel, que o admitia por qualquer motivo.

Jesus confirmou o pensamento do rabino Shamai, de que o homem só podia divorciar-se legitimamente se sua esposa tivesse comprovadamente cometido atos sexuais ilícitos (adultério e imoralidade sexual, não necessariamente o coito) com outra pessoa, que não o cônjuge. Para Jesus o divórcio não pode ser por qualquer motivo.

2) O ensino de Paulo.

a) Lei conjugal, Rm 7:2-3 - Nesse texto, o apóstolo não está tratando de divórcio, mas dos deveres relacionados à união conjugal. Aqui, portanto, não se comenta a exceção determinada pelo próprio Jesus em Mt 19.

b) Aos casais crentes, 1 Co 7:10,11- Nessa passagem, Paulo refere-se à mulher que obteve o divórcio de acordo com a Lei grega, fácil de ser conseguido. O apóstolo recusa reconhecer a validade desse divórcio, pois a mulher ainda estava casada. Veja a frase “volte para o marido”. Não tinha havido adultério como motivo para o divórcio.

c) Aos casais mistos, 1 Co 7:12-15 - Quando os coríntios convertiam-se, em alguns casos o marido ou a esposa incrédula abandonava o crente por causa de sua fé em Cristo. Nesse caso o divórcio era permitido. A palavra “apartar”, do v. 15, significa separar-se, com o mesmo sentido que no vs 11. Quando o NT foi escrito em grego e enviado às cidades do império Romano, a carta de divórcio era universalmente aceita como tendo um sentido de dissolução.

III- A Igreja, o Divórcio E O Novo Casamento
O que a Igreja pode fazer para que o número de divórcio diminua? Como a igreja pode ajudar os lares?

a) Dar ênfase aos ensinamentos bíblicos.
O abandono da Bíblia e de seus ensinamentos sobre casamento, família é a razão principal do alto índice de divórcio entre os crentes. O casamento entre crentes e não-crentes celebrado em muitas igrejas gera graves problemas conjugais, 2 Co 6:14-15.

b) Combater os valores apresentados pela mídia.
Principalmente pela televisão, que tem um poder incalculável de persuasão. A TV tem explorado sem piedade o adultério, a prostituição, a degradação da família, muitas vezes corrompendo crianças e adultos.

c) Criar programas que ensinem a importância do casamento durar para sempre.
Cursos para noivos, classes de Escola Sabatina  ou Pequenos Grupos para casais, encontros de casais e outros eventos. Isso ajudará muito na prevenção de problemas matrimoniais.

d) Criar laços com os divorciados.
Quando o casal se separa perde seu estado civil, perde o sentido da unidade familiar, passam a ser duas metades separadas, afinal as pessoas se casam para ficar juntas e a separação põe fim a esse projeto de vida. Há uma mudança radical na vida dos divorciados. Mudam de casa, de nível sócio-econômico, ficam longe dos filhos. Até essas pessoas se reorganizarem emocionalmente a Igreja deve auxiliá-las em amor.

CARTA DE DIVÓRCIO

Em Dt 24, há referência à carta de divórcio. Era um documento legal, fornecido pelo marido à mulher repudiada.

A respeito deste documento escreveu Flávio Josefo, historiador que viveu pouco depois da época de Jesus: “Aquele que se divorciar de sua esposa, por qualquer motivo, deve registrar por escrito. Portanto, ela terá a liberdade de casar com outro homem. Entretanto enquanto essa carta não lhe foi dada, não poderá fazê-lo”. E o marido não podia tomar outra esposa sem dar carta de divórcio à primeira. Outro detalhe do texto é que se ela casar de novo e o seu marido novo lhe der também carta de divórcio ou morrer, ela não podia voltar para o seu primeiro marido. Esta lei servia também para proteger a mulher.
 
Vale lembrar que Josefo escreve em contexto judaico, Jesus e Paulo permitem o divórcio apenas por adultério, porém a separação por outros motivos (violência no lar, empecilho na vida espiritual, etc.) também é permitida, desde que não se casem novamente. O primeiro a se casar nessa situação comete o adultério, tornando a outra parte livre para um novo casamento.

UNIÃO INDISSOLÚVEL

A Lei de Moisés sobre o divórcio é citada no Novo Testamento e Jesus a explicou como sendo uma “concessão”, por causa da dureza dos corações. Pois a vontade de Deus para o casamento “desde” o princípio, é que ele seja uma união indissolúvel.

VERDADES SOBRE O DIVÓRCIO

  1. O divórcio não tem a aprovação de Deus. Portanto é possível sim o casal por mais difícil que seja a convivência a dois, viverem bem para o resto de suas vidas juntos, pois quando a base do casamento é o amor, a atenção etc... e em primeiro lugar a coluna que é Deus, pois tenho presenciado Deus transformar muitos casais e lares.
  2. O casamento deve ser realizado sempre sob a expectativa do “até que a morte separe o casal”.
  3. A igreja deve ajudar a salvar os casamentos em perigo e desestimular o divórcio.
  4. Não há divórcio indolor. Ele dói porque era uma só carne e com a separação essa carne única é rasgada em dois pedaços.
  5. A Igreja não deve pregar a favor do divórcio, mas deve amar os divorciados.
  6. Não podemos deixar que nossa tradição eclesiástica e teológica tenha maior peso do que as Escrituras sobre o assunto.
  7. A igreja não pode se esquecer de que o divórcio não é o único erro que o crente comete nem é o pecado contra o Espírito Santo.

Que Deus abençoe a sua vida e sua família, e para que Deus seja o Centro em todas as coisas na sua vida conjugal.

Quando deixamos Deus trabalhar e “O” buscamos para entrar em nossos lares, em nossas vidas conjugais, a Paz de Cristo reina, e quando falo sobre a paz de Cristo, digo que vocês casais enfrentarão muitos problemas e dificuldades, pois todos estão sujeitos a algum tipo de dificuldade no casamento, mas com Jesus reinando vocês enfrentarão unidos todos os problemas e isso inclui finanças, uns dos motivos que tem separado famílias. Por isso perseverem diante dos ataques do inimigo, das lutas e dificuldades, vocês vencerão. Pois o maior desejo e planos do Diabo é destruir a família, pois foi um fundamento estabelecido no Éden pelo próprio Deus na criação, assim como o Sábado. Deus quer usar você e sua família, dispõe-te na presença de Deus. Amém

quarta-feira, 6 de março de 2013

Adventista do Sétimo Dia, portanto, Testemunha de Jeová.



Jeová, figura misteriosa porém frequente no Antigo Testamento, Quem é? De onde vem? O que quer e pra que?

Algumas pessoas sugerem que Jeová seja Deus, o Pai, aquele a quem Jesus e todos os Judeus remetiam suas orações. Outros sugerem ser Ele o próprio Cristo enquanto Deus, negando a existência de Pai e Filho, aceitando apenas Deus e homem, mas o mesmo ser. Alguns poucos ainda, sugerem ser Ele o Espírito de Deus, o Espírito Santo, contra quem o pecado não será perdoado (At 5:1-5)

Para entendermos este estudo, precisamos responder alguns pontos de extrema importância para o tópico.:

  • Que significa Jeová?
  • Quem é Jeová?
  • Que deseja Jeová?


QUE SIGNIFICA JEOVÁ?

No antigo oriente um nome representava muito mais do que a maneira como uma pessoa seria chamada, representava a maneira como essa pessoa seria lembrada por toda a vida. Esse conceito era tão forte, que não raro as pessoas mudavam seus nomes baseados em seu grandes fetos de coragem ou covardia, por sua profissão ou por não ter uma, ou até por suas aspirações. Isso nos faz entender por que na bíblia Deus muda o nome de Abrão para Abraão (Gn 17:5), e o de Jacó para Israel (Gn 32:28),além do faraó mudar o nome de José para Zafenate-Panéia (Gn 41:45). Nome então, era designação de Caráter.

Não era diferente com o nosso Deus,quando Deus afirma a Moisés em Gênesis 3:15 que Ele tem um nome, utilizando pela primeira vez o tetragrama sagrado, YHWH (Yahweh, SENHOR ou Jeová), seguido por 'Elohim (significa Deus, detalhe, 'Elohim é Plural de 'Eloah, que também significa Deus) e ainda completando que "este é meu nome eternamente." Ele estava dizendo nada mais,nada menos que "este é Meu caráter,assim EU SOU!"

YHWH vem da raiz hebraica Hawah, que fora grafado anteriormente como Hwy, que é o verbo "ser" na terceira pessoa do singular (Ele É). Muitos estudiosos acreditam que a pronúncia mais aproximada do nome de Deus seria Yahwiyu, mas o que importa para nós hoje é o seu significado, "Aquele que É".

Isso implica que o Senhor YHWH nunca foi, Ele sempre É. É o Deus do presente, do agora, e foi o Deus do presente dos povos do passado, e será o Deus do presente das nações  futuras, nunca será o Deus do passado, sempre do presente. A natureza do nome de Deus indica que nunca houve um tempo onde "Aquele que É" não fosse, Ele sempre foi, sempre existiu, e diferente de nós todos, nunca foi criado e nunca passou a existir, apenas sempre existiu! O Eterno, não, o Pai da Eternidade.

QUEM É JEOVÁ?

Que o Pai é chamado de Jeová na bíblia ninguém tem a menor dúvida (1Sm 2:2; 1Cr 17:20; Is 37:20), sabendo, no entanto, que a revelação é progressiva, teremos uma compreensão melhor analisando o Novo Testamento comparando com o Antigo Testamento, convido o leitor a me acompanhar em um brevíssimo estudo por alguns poucos livros da bíblia para entendermos melhor sobre o tema.

Jeová no livro de Hebreus

O livro de hebreus foi escrito a um público Judeu com grande conhecimento da bíblia Hebraica, isso é, o Antigo Testamento, é por isso que pelo decorrer do livro, tantas citações, aplicações e cumprimentos do Antigo Testamento vão sendo feitas de forma tão frequente.

O autor de Hebreus começa já no capítulo 1 falando sobre o nosso Senhor Jesus, e para exaltá-lo, mostra como os anjos"espíritos ministradores" (Hb 1:14)são importantes, mas se inicia uma comparação entre Jesus e os anjos. 

Versos 5 e 6

O Pai, dá uma ordem a seus anjos, que é para que adorem a Jesus. A bíblia afirma que TODA adoração é para Deus, em espírito e em verdade (João 4:23). O apóstolo Paulo faz ainda uma exortação veemente para "fugir da idolatria" (1 Co 10:14), e o próprio YHWH decreta em Êxodo 20:2-6 para que não nos encurvemos ou adoremos qualquer outro que não a Ele mesmo, pois YHWH é o único Deus, "não terás outros deuses" afirma Ele. Ou o YHWH estava aqui quebrando os seus próprios mandamentos e Ele mesmo cometendo idolatria, ou o texto parece supor que Jesus Cristo seja o próprio YHWH, aquele que pronunciou os dez mandamentos no Sinai. 

Versos 7 e 8

Aqui é aplicado a Jesus o Salmo 45:6, afirmando ser Jesus eterno, e o chama de 'Elohim, o Deus Todo-poderoso, o que parece supor que Jesus é 'Elohim, em linguagem mais clara, Jesus é Deus. 

Versos10-12

Aqui o autor de Hebreus aplica a Jesus o Salmo 102:25-27, reafirmando a eternidade de Cristo, afirmando o atributo criador dele, e ainda, se comparado com o verso 1 do mesmo Salmo, vamos descobrir que o autor do Salmo escreveu esse Salmo pensando em ninguém menos do que o próprio YHWH, o Deus Todo-poderoso. O que reafirma o pressuposto de que Jesus seja YHWH, o eterno Pai da eternidade.


Jeová no livro do Apocalipse

Logo no primeiro capítulo, dos versos 12-17 Jesus se auto intitula de várias maneiras que são aplicadas ao Pai, entre eles o famosos "O Alpha e o Ômega" ou "O Princípio e o Fim", aplicando a Si mesmo o título de Isaías 44:6, onde apenas YHWH é chamado de"O Princípio e o Fim."

Ainda no capítulo 5:13 Jesus aparece em pé ao lado do trono do Pai. Já no capítulo 22:1-3 o trono agora pertence ao Pai e ao Cordeiro (Um só trono para os dois,alguns "Anti Espírito Santo" afirmam que no céu há dois tronos, para Deus e Jesus, mas a bíblia mostra apenas um trono, para Deus), que representa as duas fazer do ministérios de Cristo, a fase humana e a fase divina.

Jeová no evangelho de João

O evangelho de João foi escrito por dois motivo muito importantes para o nosso estudo.

  • Combater a falsa ideia de que Jesus havia prometido a Pedro que João não morreria até que Ele retornasse - Se essa crença não fosse rebatida, com a morte de João, o ultimo elo vivo entre Jesus e a segunda geração de crentes, a fé de muitos ou quase todos esfriaria no cristianismo.
  • Combater a heresia do Docetismo que nascia e se disseminada no final do primeiro século, doutrina cuja maior apelo era de que Jesus não tinha um corpo humano, mas um corpo fantasmagórico, apenas parecia ser humano, negando a humanidade de Jesus, outros porém, para combater o docetismo passaram a negar a divindade de Cristo, e para combater esses dois extremos que João já afirma no primeiro capítulo que "o verbo se fez carne" (vs. 14) e "o verbo era Deus" (vs. 1), e segue por todo o evangelho reafirmando a Divindade plena e a humanidade completa de Cristo.
É nesse contexto que João escreve, contexto de tensão pós perseguição da igreja cristã, e início das primeiras heresias a respeito de Cristo.  

Capítulo 8:58

Jesus estava discutindo com os fariseus que afirmavam ser filhos de Abraão, e então Jesus afirma categoricamente que"antes de Abraão existir EU SOU." Diferente das outras afirmações"Eu Sou" de Jesus (o Pão da vida, a luz do mundo e etc) essa vez veio sem nenhuma explicação ou acréscimo, o que faz dessa uma afirmação diferente das demais, uma afirmação categórica.

Jesus aplica a si, sem dúvida, Êxodo 3:14-15,onde YHWH aparece a Moisés na sarça ardente, e afirma que "EU SOU O QUE SOU", e ainda que é "o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó." Em outras palavras, Jesus estava dizendo para os fariseus: "Vocês se acham superiores por serem filhos de Abraão? Pois EU SOU o Deus de Abraão!"

Isso implica que: Ou Jesus sabia o que Ele era e de fato era o que afirmava ser, YHWH, o Deus Todo-Poderoso, ou Ele foi o maior louco e blasfemo que já pisou nessa terra. Os Judeus entenderam que Jesus pretendia ser Deus nessa frase, pois insanidade não era motivo de apedrejamento, mas blasfêmia sim, e os Judeus pegaram em pedra para apedreja-Lo no meio do templo (vs. 59).

Assim fica fácil entender Ellen White quando afirma no Desejado de Todas as Nações que "Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada" (DTN 530) por Ele ser Jeová.

Então podemos concluir que Jeová é Jesus?

Sim, mas não tão cedo, ainda existe outro detalhe que não analisamos, e se encontra em algumas passagens, mas vamos analisar apenas Isaías 6:3-11.

Aqui encontramos algo muito intrigante.Isaías tem uma visão vinda de 'Elohim (Deus) que no verso 3 é chamado de "Santo, Santo, Santo, é o Senhor dos Exércitos", termo que pode ser traduzido do hebraico como "O que detém todo o poder" que é, sem dúvida, mencionado em Ap 4:8 como sendo Deus o Pai, o que reafirma a afirmação inicial sobre quem é Jeová.

Porém ao citar o verso 10, João 12:40-41 diz que o 'Elohim (Deus) do texto era claramente o Filho, dizendo que o profeta falava sobre Jesus.

Em contrapartida, ao citar os mesmos versos 9-10, Lucas declara em Atos 28:25-27 que esse 'Elohim era ninguém menos que o Espírito Santo (vs. 25).

Portanto, segundo a compreensão bíblica,Jeová é o Pai, é o Filho e é também o Espírito Santo, não apenas um deles, nãodois, mas os três juntos, ou qualquer um deles individualmente.

O Problema do Espírito Santo

Muitos, no entanto, não se contentariam com apenas um versos como esse, e afirmariam que o Espírito Santo não precisa ser necessariamente uma pessoa diferente do Filho ou do Pai, e se assim for,Jeová é apenas duas pessoas, e não três.

Sobre a divindade do Espírito Santo, Atos 28:25-27 com Isaías 6:9-10 seriam o suficiente, mas convém ainda mencionar a explícita mensagem de Atos 5:1-5.

O texto conta a trágica experiência experimentada por Ananias e Safira que o texto narra ter mentido ao Espírito Santo no verso 3, e logo no verso 4 já reafirma as mesmas palavras, mas não mais ao Espírito Santo, mas agora a mentira foi contra Deus. Parece claro o paralelismo entre Espírito Santo e Deus. Além disso, não se pode pecar contra a luz, não se pode pecar contra a energia elétrica ou contra uma cadeira, assim,não se poderia pecar contra o Espírito Santo se Ele fosse apenas um força ou um ser inanimado, mas não, o conceito de personalidade do Espírito é intrínseco ao texto.
  • Mt 12:31-32 e Mc 3:28-19 dizem que se pode blasfemar contra o Espírito Santo. Toda blasfêmia é contra Deus, blasfêmia é se por no lugar de Deus, no entanto, se pode blasfemar contra o Espírito Santo. Isso implica a Sua divindade.
  • 1 Co 12:11diz que é um só Espírito que opera tudo em todos, isso implica onipresença
  • Rm 8:26 diz o Espírito Santo intercede na nossa oração, isso implica participação na Salvação do homem.
  • 1Co 2:10 e 11 afirma que o Espírito Santo penetra todas as coisas de Deus,isso implica oniciência.
  • Gl 4:30 é um apelo para que os crentes não entristeçam o Espírito Santo, relembrando de Mt 12:31-32 e Mc 3:28-19. Por que entristecer uma força ou uma criatura seria tão mal?
Convenhamos que um anjo ou qualquer um que não fosse Deus jamais poderia ter tais atributos ou realizar tais obras.

O Espírito Santo pode ser o Pai ou o Filho?

Mt 28:19 apresenta três seres distintos (Pai, Filho e Espírito) recebendo um único nome, nome implica caráter, logo, o batismo deve ser realizado no nome de Deus, Jeová, e esses três compartilham esse nome, esse caráter, os mesmos três apresentados no batismo de Jesus (Mt 3:16-17).Jesus estava sendo batizado e o Espírito apareceu em forma de pomba, isso exclui completamente a possibilidade de Jesus ser o Espírito Santo.

João 14:16-18diz que Jesus (sujeito 1) rogará ao Pai (sujeito 2) e Ele (o Pai [sujeito 2])enviará OUTRO consolador. Se não é Jesus, pois é "outro", e não é o Pai, pois é Ele quem enviará, então esse verso só pode ser entendido à luz do vs 26 que afirma ser o Espírito Santo (sujeito 3) esse "outro", que o Pai (sujeito 2) enviará em Meu (Jesus [sujeito 1]) nome. Claramente não pode ser Jesus, também não pode ser o Pai,ficando claro ser Deus, não Deus o Pai, não Deus o Filho, mas o Deus Espírito Santo.
 

QUE DESEJA JEOVÁ

Jeová (Jesus) um dia deu uma missão para o remanescente, que em sua época era os seus discípulos somente, e essa missão era "Ide, fazei discípulos batizando no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Sua ordem consistia em:
  • "Ide": "Ide" é menos parecido com "ir para a igreja" sentar e assistir um culto, e mais parecido com "ir buscar e salvar o perdido" (Lc 19:10).
  • "Fazei discípulos": É menos parecido com fazer festas e algazarras, gastar milhões com programações e shows dentro da igreja, e mais parecido com "curar física, mental e espiritual, e ensinar a verdade aos povos."
  • "Batizando": É menos parecido com "quantidade de batismos" ou "crescimento de membros" e mais parecido com "compromisso racional com Cristo" ou "crescimento de discípulos"
  • "Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo": É menos parecido com "uma fórmula a ser dita antes do batismo" e mais parecido com "uma dedicação ao possuidor desse nome." Um só nome para três seres, o batismo é um compromisso, uma aliança com esse nome, esse caráter, com Jeová.
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Mateus 28:19
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Mateus 28:19
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Mateus 28:19
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Mateus 28:19
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Mateus 28:19

 Jeová estava com seus discípulos, poucos momentos antes de ser levado às alturas, e disse: "Recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.(At 1:8).

A ordem e o chamado de Jesus foi para sermos suas testemunhas, aqueles que testificam daquilo que experimentaram, que viram e que sentiram, que vivam a missão. A missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia hoje é levar as três mensagens angélicas, com foco na terceira, não apenas batizar em nome de Jeová, mas ser uma testemunha de Jeová até aos confins da terra.