Não é preciso procurar muito na internet para encontrar milhares de piadas sobre a vida matrimonial
- Piadas
feministas
- "O casamento é um relacionamento entre duas pessoas, na qual uma está sempre certa e a outra é o marido."
- "A ultima palavra é sempre do marido: Sim Senhora!"
- ·
Piadas
machistas
- "Deus fez os pés das mulheres menores para que elas pudessem ficar mais próximas ao fogão."
- "Os solteiros deviam pagar impostos. Não é justo que alguns homens sejam mais felizes que outros."
Percebe-se
que há uma tenção entre os movimentos machistas e feministas quanto aos
direitos de deveres de homens e mulheres quando juntos em uma vida conjugal.
Para
a ala feminista, a palavra submissão é coisa do século retrasado, desde que
corajosas mulheres saíram às ruas ao término da revolução francesa e queimaram
seus sutiãs como protesto em meados do século XIX na frança, a submissão perdeu
seu espaço no quadro global.
No
entanto, O apóstolo Paulo usa uma linguagem muito pesado Efésios 5:21-33, onde exorta esposas e maridos a terem
um relacionamento semelhante ao de Cristo com a igreja: "Esposas,
submetam-se... Maridos, amem..."
Em uma época onde amor não existe mais e submissão é coisa do outro século, esse
trecho da escritura sagrada têm trazido muita discussão nas fileiras da igreja,
onde a ala feminista afirma que trata-se claramente de uma reflexão da cultura
local, um conselho preso no tempo e no espaço, enquanto a ala machista entende
como uma ordem global e perpétua que declara biblicamente o seu poderio sobre o
sexo feminino.
O
grande embate teológico aqui se encontra na frase: "As mulheres sejam
submissas ao seu próprio marido" do verso 22. O
que quer dizer esse verso?
- É esse verso um conselho útil apenas para um grupo específico em um tempo específico?
- É esse um imperativo quanto à superioridade masculina sobre as mulheres?
Há
uma tensão entre "igualdade e submissão" que Paulo mantém até o fim
do relato. Para entendermos melhor essa tensão, será preciso responder algumas
perguntas:
- Há algum indício de superioridade, igualdade ou inferioridade da parte da mulher perante o homem no relado da Criação?
- Após a queda, essa relação manteve-se igual ou teve alguma alteração?
- O que Paulo quer dizer com Submissão?
- A sociedade moderna comporta princípios de interações sociais bíblicas?
Buscaremos
de perto, embora muito resumidamente, as respostas à essas perguntas no relato
bíblico e nos escritos de Ellen White.
1.
RELAÇÃO
HOMEM/MULHER NO RELATO DA CRIAÇÃO
No
verso 31 Paulo usa o texto de Gênesis 2:24 para ilustrar a união de Cristo com a
igreja. Geralmente usado pela ala machista para defender a inferioridade
feminina, estudaremos aqui os dois primeiros capítulos do Gênesis para entender
o conceito aqui alicerçado.
a. Homem e Mulher em
Gênesis 1
Gênesis 1 é complementado por Gênesis 2, aqui eles serão visto de modo separado.
Em Gênesis 1 não há distinção de
sexo no texto. O vocábulo 'adam (homem)
é um termo genérico para homem e mulher, notado pelo uso da 3ª pessoa do plural
nos imperativos missionais dos versos 29 e 30, não havendo nenhum tipo de superioridade e subordinação no
texto.
- 'ishs (Homem) + 'ishsha (Mulher) = 'adam (Ser Humano)
De fato o homem fora criado primeiro (Gn 2:7), mas ambos foram
criados igualmente "à imagem de Deus" (Gn 1:27), as benção e ordens "Sede fecundos" "Multiplicai"
e "Enchei a terra" (Gn 1:28) fora remetida aos dois, assim como a ordem divina de
"sujeitar" a terra (Gn 1:28) e "dominar" a vida animal (Gn 1:26, 28) também fora dada a
ambos, não apresentando nenhum sinal de superioridade ou subordinação no texto.
O relato de Gênesis 2, porém, aumenta a abrangência e
detalhes do contexto da criação, por isso, é de suma importância que seja igualmente
analisado.
b.
Homem e Mulher em Gênesis 2
A mulher foi criada apenas depois
de Adão ter dado nome aos animais (Gn2:19, 20). Esse relato foi relevante para dar sentido à declaração, "não se achama uma auxiliadora que lhe
fosse idônea" (Gn 2:20), então aparece
o pronunciamento divino, "Não é bom
que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea"
(Gn 2:18).
O uso de "auxiliar"
atualmente conota alguém de encargo inferior que presta serviços à outra
pessoa. Por isso, têm-se atribuído geralmente a esse texto, o encargo de
inferiorização da mulher em relação ao homem.
- A palavra 'ezer significa "auxiliar, ajudante, adjuntora ou companheira" porém, diferente do português, a palavra não denota nenhum significado de subordinação. O próprio Deus é descrito como 'ezer de Israel (Ex 18:4; Dt 33:7, 26; Sl 33:20; 70:5; 115:9, 10, 11), não podendo, por si só, especificar superioridade ou subordinação.
- Porém, em Gn 2:18 e 20 a palavra 'ezer aparece acompanhada da palavra kenegdo, que comunica a ideia de "defronte de" ou "contraparte", tornando a tradução literal "como sua contraparte, correspondente a ele."
- Quando usadas juntas, 'ezer kenegdo demonstram igualdade, logo, Eva era a "ajudadora de Adão, correspondente a ele."
A ala machista, tem ainda outro argumento largamente usado
para defender a subordinação da mulher frente ao homem: O fato dela ser
derivada dele.
Enquanto a matéria prima de Adão era a terra (Gn 2:7), o verso 21 não deixa margem de
dúvida para afirmar que Eva realmente viera do corpo de Adão. Note que a mulher
não era a costela de Adão, mas esta era a sua matéria prima, assim como o homem
não era a terra, mas sua matéria prima foi "tomada" do pó (Gn 3:19 e 23)
- O verbo bnh "fazer" é usado apenas para a criação de Eva, o que sugere uma intenção de estética e permanência.
- O homem estava dormindo quando a mulher fora criada, não tendo assim, nenhuma participação nisso, nem mesmo para dar ideia. Impedindo que assim, reivindique qualquer tipo de superioridade sobre ela.
- Ellen White afirma igualdade na criação: “Eva foi criada de uma costela tirada do lado de Adão, significando que não o deveria dominar, como a cabeça, nem ser pisada sob os pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado como igual, e ser amada e protegida por ele” (Patriarcas e Profetas, pág. 46).
Há ainda outra forte evidência de que homem e mulher foram
criados no mesmo nível de igualdade: Oséias 6:7 afirma que Adão e Eva fizeram uma aliança, o texto de Gênesis 2:23 foi este pacto matrimonial
entre Adão e Eva.
Antes de estudarmos o texto, é preciso resaltar que havia
dois tipos de concertos (alianças).
- Acordo no qual as partes, no mesmo grau de igualdade, voluntariamente se submetem as estipulações referentes aos seus deveres e privilégios.
- Acordo entre uma parte superior e outra inferior, como é o caso dos concertos entre Deus e Suas criaturas (Noé, Abraão, Jacó, etc...)
Geralmente a expressão “osso dos meus ossos e carne da minha
carne” (v. 23) é interpretada como
uma expressão da parte de Adão afirmando ser ela formada dele, porém a
expressão denota uma fórmula de concerto, como disserta Walter Brueggemann em
sua obra "Of
the Same Flesh and Bone" (Da mesma carne e osso).
- A mesma combinação "osso" e "carne" estão presentes para determinar várias alianças no Antigo Testamento (Gn 29:14; Jz 9:2; 2Sm 19:13-14 e 2Sm 5:1 [1Cr 11:1]).
- Em 2 Samuel 5:1 a fórmula é usado entre Davi e Hebrom, onde era afirmado algo como que: "Estaremos contigo na fraqueza (carne) e na força (osso).
Portanto, "Osso dos meus ossos e carne da minha
carne" tem os polos "carne/fragilidade" e "osso/poder"
denotam todo o conjunto de possibilidades entre um e outro, algo como o voto
matrimonial "Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza..." isso
é, desde o extremo de fragilidade, até o extremo de força. Este juramento de
Adão evidencia que ele havia compreendido e aceito as responsabilidades
conjugais de permanência e perpetuação da espécie, conforme Deus prescrevera no
concerto da criação (Gn 1:1-2:3 e 2:23-24).
Isso demonstra que ambos foram criados como seres livres,
compartilhando o mesmo nível de igualdade social sem exercício de autoridade de
um sobre o outro ou algum tipo de superioridade ou inferioridade de um sobre o
outro.
2.
RELAÇÃO
HOMEM/MULHER APÓS A QUEDA
a.
Homem e Mulher em Gênesis 3
Porém toda essa dinâmica foi mudada pela entrada do pecado no
mundo.
Gênesis 3:16 registra, “E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os
sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo
[tesuah] será para o teu marido, e ele te governará [mashal]” (Gn 3:16).
Ao homem disse Deus: "Em fadiga obterás dela [da terra]
o sustento" (Gn
3:17).
Deus dera ao homem duas missões
- Multiplicar
- Sujeitar a terra
À mulher foi dificultada a primeira missão (dor ao
multiplicar) enquanto ao homem foi dificultada a segunda missão (dor ao
sujeitar a terra).
Analisemos primeiramente o desejo (tesuah) da mulher ao marido.:
- Cantares 7:10 usa tesuah para descrever o sentimento do marido para com a esposa. Isso indica que o desejo deve estar presente em ambos. Nesse aspecto, o Antigo Testamento não faz distinção entre os dois, ambos parecem compartilhar o desejo sexual.
Já as escrituras nos mostram que a declaração divina de que o
homem "governará" (mashal)
a mulher aparece no contexto do relacionamento entre marido e mulher dentro do
casamento, tal qual apresentando em Efésios 5:21-33.
- A gravidez (v. 16a) é uma experiência que deve ser unicamente para dentro do casamento.
- Gerar filhos (v. 16b) é uma experiência que deve ser unicamente para dentro do casamento.
- O desejo (sexual) deve ser algo também para dentro do casamento.
Depois destas três referencias de alterações relacionadas com
a instituição conjugal é que vem a sentença, “ele te governará” (Gn 3:16). Isso significa que,
óbviamente, a autoridade do marido a esposa está restrita à esfera do
casamento. Ellen White afirma claramente isso:
- “Quando Deus criou Eva, Ele planejou que ela não deveria ser nem inferior nem superior ao homem, mas que em todas as coisas eles deveriam ser iguais. O santo par não deveria ter nenhum interesse caracterizado por independência um do outro; contudo, cada um deveria ter sua individualidade de pensamento e ação. Mas após o pecado de Eva, tendo sido ela a primeira a transgredir, o Senhor lhe disse que Adão deveria governá-la. Ela deveria se submeter ao seu esposo, sendo esta uma parte da maldição” [Testemunhos Para a Igreja Vol. 3, pág. 484].
- “Na criação Deus a fizera igual a Adão. Se houvessem eles permanecido obedientes a Deus - em harmonia com Sua grande lei de amor - sempre estariam em harmonia um com o outro; mas o pecado trouxera a discórdia, e agora poderia manter-se a sua união e conservar-se a harmonia unicamente pela submissão por parte de um ou de outro. Eva fora a primeira a transgredir; e caíra em tentação afastando-se de seu companheiro, contrariamente à instrução divina. Foi à sua solicitação que Adão pecou, e agora foi posta sob a sujeição de seu marido” [Patriarcas e Profetas, pág. 58-59].
A declaração de Gn 3:16, juntamente com o testemunho de Ellen White, indicam que a
autoridade masculina não se aplica a todas as áreas de atuação feminina, nem
mesmo indica domínio sobre todas as esferas da vida das mulheres. Porém, resta
ainda algumas dúvidas:
- Esta autoridade implica em domínio e supremacia no casamento?
- Significa que a mulher deve se submeter a uma escravidão cega?
- Isto justificaria o “reinado” do homem como um déspota?
- Estaria incluída a perda da individualidade da esposa, a sujeição de sua vontade ao marido, etc.?
Nem o AT ou NT esboçam qualquer tipo de resposta afirmativa a
essas perguntas. O pecado arruinou a harmonia entre marido e mulher. Para que
houvesse harmonia no casamento, a esposa deveria se submeter à autoridade do
marido. E como funciona então essa submissão?
- Paulo ilustra dizendo que o homem é "a cabeça" da mulher assim como o Pai é "a cabeça" de Cristo (1Co 11:3). Cristo e o Pai são iguais, embora Cristo se submete ao Pai em Seus desígnios.
- Ellen White confirmou essa igualdade ao responder a uma mulher cujo marido estava sendo grosseiro e ditatorial, “Ele deveria ser bem mais terno e gentil com sua esposa, que lhe é igual em todos os aspectos”. [Testimonies for the Church Vol. 4, págs. 36-37].
- O marido é o primeiro entre iguais. A submissão não é algo que destrói a essência do relacionamento harmonioso, mas um dos dois administra como "cabeça", enquanto o outro se submete.
- A administração do relacionamento deve ser inspirada e fundamentada no amor de Cristo pela igreja, entregando-se por ela (Ef 5:25).
- O "cabeça" deve amar o que se submete como o seu próprio corpo (Ef 5:28).
Assim sendo, as escrituras deixam claras que a submissão
feminina ocorre apenas na esfera do relacionamento conjugal. Essa sujeição não
se estende às esferas intelectual, mental, emocional ou qualquer outra. Como no
antigo Israel, a mulher poderia participar da vida pública assim como o homem.
- Miriam serviu como conselheira administrativa (Êx 2:4, 7-8; 15:20-21), tendo sido conhecida como profetiza (Êx 15:20).
- Débora serviu como “juíza” em nível de igualdade com outros juízes (Jz 4-5).
- Atalia reinou sobre Judá por seis anos (2Rs 11).
- Hulda, a profetiza, foi consultada pelos ministros do rei (2Rs 22:14).
- A esposa de Isaías era uma profetiza (Is 8:3).
- Tanto homens como mulheres podiam fazer voto de nazireado (Nm 6:2).
- O livro de Ester relata como uma nação foi salva por uma mulher.
Em Efésios 5:21-33, a ética cristã do relacionamento conjugal considera que
diferença e subordinação não significam inferioridade. A subordinação da esposa
é do tipo da que ocorre entre iguais, não em obediência servil, mas em
submissão voluntária.
3.
TENSÃO
ENTRE IGUALDADE E SUBMISSÃO
a. Quanto aos Maridos
O relato sobre os deveres dos maridos é bem mais extenso que
o das mulheres, ele é feito em dois estágios (vs. 25-28 vs. 28-32). Aqui a exortação é
que eles amem as esposas, e em ambos, a base é o amor de Cristo pela igreja,
permitindo que Paulo faça um paralelismo.
- A maneira que o marido deve tratar a esposa (vs. 25-28a).
- A maneira que Cristo trata a igreja (vs. 28b-32).
Na vida conjugal, o marido deve:
- Amar a mulher como Cristo amou a igreja (v. 25a).
- Se preciso, dar a própria vida pela esposa (v. 25b).
- Ser o sacerdote espiritual da esposa (v. 26), cuidando e se responsabilizando por cada aspecto da vida espiritual da esposa.
- Amar a esposa como ama o próprio corpo (v. 28a).
- Em suma, cuidar dela como cuida de si mesmo (v. 28b).
Em suma, o conselho de Paulo aos maridos envolve proporcionar
um ambiente de amor romântico e autossacrifício, assim como Cristo o fez (v. 28).
O termo grego empregado para amor é agápe, não filia,
nem eros. Filia é amor emocional, enquanto eros é o amor
sexual. O apóstolo Paulo desenvolveu a noção de que o amor (agápe) de
Deus revelado na dádiva do Seu Filho é a expressão suprema de amor pela
humanidade (Rm
5:8; cf. Mc 10:45; 2Co 5:14). Esta demonstração suprema do amor divino tem duas
consequências:- É um convite a que o crente dê uma resposta de gratidão (2Co 5:15; Rm 10:10).
- Aquele que responde ao amor de Deus com amor torna-se um canal de bênçãos para as outras pessoas (Rm 5:5).
Em 1Co 13 Paulo descreve magistralmente o que vem a ser esse
amor desenvolvido pelos maridos para com a esposa, sendo extensão do amor de
Deus pela Sua igreja, esse amor não tem:
- Inveja
- Presunção
- Ostentação
- Arrogância
- Egoísmo
- Ressentimento
Por outro lado, esse amor é:
- Paciente
- Benigno
- Verdadeiro
- Justo
- Esperançoso
- Benevolente
- Permanente
Paulo cita seis sentimentos que não podem representar o amor,
seguido por sete princípios/ações que representam ele. Em outras palavras,
Paulo afirma para longe de qualquer questionamento que amor não tem nada que
ver com sentimentos, mas com princípios/atos. O que Paulo quis dizer é: “o amor é um princípio
ativo (nada que ver com sentimentos) que promove somente o bem”.
b. Quanto as Mulheres
Em contraste com as numerosas exigências sobre o marido, a
esposa tem apenas uma: Submissão (vs. 22 e 24).
Gálatas 3:26-28 oferece a maior definição de igualdade para todos de todos
os tempos (cf. Cl
3:11). Aqueles
que eram batizados “em Cristo” compartilhavam de um status igualitário, não
havendo mais distinção entre judeus e gregos, homens e mulheres, escravos e
livres. Essa nova identidade obtida pelo batismo não mais permitia
diferenciação de gênero, de raça ou de classe social estando todos radicalmente
subordinados à comunidade e igualdade em Cristo.
- O Espírito de Profecia está em harmonia com Paulo em Gálatas 3:28, “Deus não reconhece distinção alguma de nacionalidade, etnia ou classe social. É o Criador de todo homem. Todos os homens são de uma família pela criação, e todos são um pela redenção” (Parábolas de Jesus, pág. 386)
- Mais tarde, Ellen White amplia o quadro para incluir negros e brancos, “Cristo veio à Terra com uma mensagem de misericórdia e perdão. Lançou o fundamento de uma religião pela qual judeus e gentios, negros e brancos, livres e escravos são ligados numa irmandade comum, reconhecidos como iguais à vista de Deus”. (Mensagens Escolhidas Vol 2, pág. 485)
Contudo, permaneciam as distinções entre homens e mulheres (e
entre judeus e gregos, escravos e livres).
A igualdade descrita na fórmula batismal era uma realidade
escatológica, mas já fazia sentir o seu poder na ética igualitária. Essa
igualdade entre gêneros fica clara.
- Mulheres participavam no ministério de Paulo (Fp 4:3).
- Paulo considerava outras mulheres como suas “cooperadoras” (Rm 16:3).
- Mulheres participavam do culto orando e profetizando (1Co 11:5).
- Mulheres tinham os mesmos diretos conjugais que o marido (1Co 7:3-5).
Porém, com tanta igualdade algumas mulheres decidiram
fazer-se ouvidas, e defendendo o seu direito igualitário nessa nova ordem
cristã, profetizavam (pregavam) e oravam sem o véu (1Co 11:3-6) independendo de seus
maridos, o que trouxe um certo desconforto à igreja.
O apóstolo da liberdade, no entanto, não ficou feliz com essa
noção de liberdade, e mediante vários apelos, tentou convencer os coríntios a
não tolerar os excessos dessas mulheres. (ver também 1Co 14:33-35 com respeito ao falar
em línguas), pois ao mesmo tempo que ele confirmava a comunidade igualitária,
insistia que a mulher não fosse independente de seu marido, mas que fossem
interdependentes (1Co
11:11).
Assim, parece haver uma contradição entre a igualdade em
Cristo e a submissão. hypotasso
(submissão) é usado com frequência nos escritos Paulinos (Rm 8:7; 10:3; 13:1, 5; 1Co
14:34; 15:28; 16:16; Ef 5:21, 24; Cl 3:18; 1Ti 3:1; Tt 2:5; 3:1; Hb 12:9; Tg
4:7; 1Pe 2:13; 3:1, 5; 5:5), inclusive para os escravos (Tt 2:9; 1Pe 2:18). Há diversas áreas onde se deve ter
submissão:
Por que então Paulo utiliza o critério de submissão para
esposas, visto que a relação com o marido é diferente da relação pais/filhos ou
senhores/escravos?
Na verdade, a subordinação é um requisito da sociedade para
que haja ordem. A chave para a compreensão da submissão encontra-se na atitude
de Jesus lavar os pés dos discípulos (Jo 13:1-11). Ele associa este tipo de comportamento (mesmo que não
empregue a palavra) para descrever a natureza da verdadeira grandeza (Mc 10:43-45), a atitude de Jesus
voluntariamente Se humilhar e lavar os pés dos discípulos pode ser um indicio
de como deve ocorrer a submissão da esposa, ou seja, é um ato voluntário,
apesar de não ser fácil de ser posta em prática, e para isso, o único modo é se
encher do Espírito Santo (Ef 5:18 e 21)
c. Seria isso um Princípio ou um Conselho específico?
A submissão feminina no casamento deve ser considerada no
amplo contexto da carta aos Efésios.
- Todo os crentes devem “conviver com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor” (Ef 4:2).
- No verso 21 o apóstolo Paulo exorta a que todos os crentes se sujeitem “uns aos outros no temor de Cristo”
- Portanto, a submissão mutua dos crentes e a sujeição feminina na relação conjugal tem uma forte motivação para ser posta em prática – a motivação é Cristo!
Em Efésio 5:22-25, o primeiro conselho é para as esposas.
Elas recebem duas exortações, sendo que a segunda (v. 24) intensifica a primeira
(v. 22).
- Não é convenção social da época, mas, sobretudo, porque tanto as esposas (vs. 22-24) como os maridos (v. 25), ambos estão sujeitos a Cristo. A motivação é Cristo.
Em Ef 5:23 o apóstolo Paulo apresenta o motivo pelo qual as mulheres
devem se submeter aos maridos: “porque o marido é o cabeça da mulher, como
também Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5:23). Se Cristo ainda é o cabeça da igreja, dentro de um
casamento cristão, o marido ainda é o cabeça da esposa.
É evidente pela Palavra de Deus que após a queda a esposa
teve que se submeter à liderança do marido. Em que áreas deveria ela se sujeitar?
Ellen White, uma das maiores defensoras dos direitos femininos, oferece uma boa
noção através do conselho ministrado a uma esposa: “Mary,... desejo com toda
bondade de irmã e de mãe, amigavelmente advertir você sobre outro assunto:
Tenho notado muitas vezes a maneira como você fala com John diante de outras
pessoas, de modo um tanto dominador e em um tom de voz que soa impaciente.
Mary, os outros percebem isso e têm comentado comigo. Isto prejudica sua
influencia.
"Nós, mulheres,
devemos relembrar que Deus nos colocou em sujeição a nossos maridos. Ele é a
cabeça, e nossos critérios, pontos de vista e raciocínio devem, se possível,
estar de acordo com os dele. Se não, a Palavra de Deus dá preferência ao
marido, em não se tratando de assuntos de consciência. Devemos submeter-nos à
cabeça”. [Testemunhos sobre Conduta Sexual, Adultério e Divorcio, pág. 28]
4.
RELAÇÃO
HOMEM/MULHER NA SOCIEDADE PÓS-MODERNA
Na sociedade em que vivemos hoje, cada vez mais igualitária,
onde a acepção de minorias (negros, índios, mulheres, homossexuais e etc.) é
crime, e o mercado está cada vez mais carente e dependente da mão de obra
feminina, e o grito de independência feminina já foi bradado, seria possível
seguir o modelo bíblico?
Submissão não significa inferioridade. Jesus se submeteu a
seus discípulos ao lavar os pés deles, sendo esse o sinal de verdadeira
grandeza.
Jesus é igual ao Pai, Filipenses 2 afirma que mesmo sendo Deus, tão Deus quanto o Pai, se
submeteu, e esse é o único motivo de termos esperança hoje.
a. Machismo
Há em nossas igrejas, alguns que andam com pensamentos
feudais, onde mulheres eram máquinas de reprodução, pensamentos evolucionistas
frenológicos que afirmam ser as mulheres menos evoluídas que o sexo masculino.
Muitas vezes, ainda nos falta amor cristão, pregamos igualdade e vivemos sectarismo.
Como mostrado no presente estudo, a mulher é claramente igual
ao homem. O papel de submissão não é para a mulher como um todo, mas para a
esposa frente unicamente a seu marido.
Submissão não é perda de individualidade da parte da mulher, isso
se chama escravatura. Ellen White afirma diversas vezes do perigo de entender
errado a afirmação de Paulo.
- Em sua união vitalícia, as afeições deverão ser tributárias à felicidade mútua. Cada um deve promover a felicidade do outro. Esta é a vontade de Deus a seu respeito. Mas, ao mesmo tempo que se devem unir em um só ser, nenhum de vocês deverá perder na do outro, sua própria individualidade. Deus é o dono de sua individualidade. A Ele vocês devem perguntar: Que é direito? Que é errado? Como poderei eu melhor cumprir o propósito de minha criação? (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 95).
- Antes de dar a mão em casamento, deveria toda mulher indagar se aquele com quem está para unir seu destino, é digno. Qual é seu passado? É pura a sua vida? É o amor que ele exprime de caráter nobre, elevado, ou é simples inclinação emotiva? Tem os traços de caráter que a tornarão feliz? Poderá ela encontrar verdadeira paz e alegria na afeição dele? Ser-lhe-á permitido, a ela, conservar sua individualidade, ou terá de submeter seu juízo e consciência ao domínio do marido? Como discípula de Cristo, ela não pertence a si mesma, foi comprada por preço. (O Lar Adventista, pág. 47)
- Total submissão só a nosso Senhor Jesus Cristo, que a comprou como propriedade Sua, pelo infinito preço de Sua vida. Deus lhe deu uma consciência, que ela não pode violar impunemente. Sua individualidade não pode ser submersa na do marido, pois ela é propriedade de Cristo. É um erro imaginar que com cega devoção deve ela fazer tudo exatamente como seu marido manda, quando ela sabe que em assim procedendo atrairia danos sobre o seu corpo e espírito, que foram resgatados da escravidão de Satanás. Existe Um que é mais importante aos olhos da esposa que o marido: é seu Redentor, e sua submissão ao marido deve estar na base da indicação de Deus: “Como ao Senhor.” Efésios 5:22. (O Lar Adventista, pág. 116)
- A esposa e mãe não deve sacrificar sua força e permitir fiquem inativas suas faculdades, dependendo inteiramente do esposo. Sua individualidade não pode imergir na dele. Ela deve sentir que é igual ao marido — deve estar ao seu lado, fiel no seu posto de dever e ele no seu. Sua obra na educação dos filhos é em todos os aspectos tão elevada e nobre como qualquer posição de honra que ele seja chamado a ocupar, ainda que seja a de principal juiz da nação. (O Lar Adventista, pág. 231)
Machismo é uma artimanha Satânica para destruir casamentos, é
uma adulteração grosseira dos ensinos de Deus para uso do Malígno.
Há alguém maior que o marido na relação, e esse alguém é
Cristo, dê as suas esposas os direitos e liberdades que Jesus as daria.
b. Feminismo
Aceitar
a submissão feminina apontada pela bíblia não é retroceder no tempo, é avançar
na fé. Aceitar essa visão é tão difícil quanto deixar-se controlar pelo
Espírito Santo.
O
fato da sociedade ter conquistado os direitos feministas impostos sobre os
direitos masculinos não significa que isso seja completamente bom na prática ou que exercer submissão seja algo retrógrado ou
errado.
- No século XVIII a sociedade conquistou a liberdade da religião com o ateísmo francês.
- No século XIX a sociedade conquistou a liberdade de Deus com o evolucionismo.
- No século XX a sociedade conquistou a liberdade do casamento com a revolução sexual.
- No século XXI a sociedade conquistou a liberdade da família com a liberação homossexual.
Acontece
que liberdade sem Deus é libertinagem, gera escravidão e desajuste na
sociedade. Conquistar a igualdade feminina foi um grande avanço para a sociedade segundo os escritos bíblicos, mas estragar a harmonia do lar frente à supremacia feminina foi um grande retrocesso no evangelho.
Como
mostrado nesse estudo, a mulher é claramente igual ao homem, porém, no âmbito
de casamento, ela desfruta de uma função diferente e subordinada.
- "Nós, mulheres, devemos relembrar que Deus nos colocou em sujeição a nossos maridos. Ele é a cabeça, e nossos critérios, pontos de vista e raciocínio devem, se possível, estar de acordo com os dele. Se não, a Palavra de Deus dá preferência ao marido, em não se tratando de assuntos de consciência. Devemos submeter-nos à cabeça”. [Testemunhos sobre Conduta Sexual, Adultério e Divorcio, pág. 28]
Entenda
que a posição de subordinação ao marido não fazia parte dos planos de Deus,
porém, após a queda, é uma posição necessária para se manter a ordem. Ellen
White, eterna lutadora pelos direitos da mulheres, era sóbria o bastante para
temer o feminismo em qualquer forma dele.
- E disse o Senhor: “O teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” Gênesis 3:16. Na criação Deus a fizera igual a Adão. Se houvessem eles permanecido obedientes a Deus — em harmonia com Sua grande lei de amor — sempre estariam em harmonia um com o outro; mas o pecado trouxera a discórdia, e agora poderia manter-se a sua união e conservar-se a harmonia unicamente pela submissão por parte de um ou de outro. (O Lar Adventista, pág. 115)
- Precisamos ter o Espírito de Deus ou jamais teremos harmonia no lar. A esposa, se tem o Espírito de Cristo, terá cuidado de suas palavras; controlará seu espírito, será submissa, e não sentirá contudo que seja uma escrava, mas uma companheira de seu marido. (O Lar Adventista, pág. 118)
Além
de todos os outros trechos do Espírito de Profecia aqui mostrados, é muito
claro a importância da submissão feminina no escopo da união conjugal para
manter-se a harmonia no casal. Prova disso é a íntima ligação entre o crescimento
do feminismo e o aumento de divórcios, que levam a mais famílias
desestruturadas, menor educação, maior criminalidade e menor desenvolvimento
econômico segundo o IBGE e pela Doutora Isabela Guimarães, antropóloga, em sua tese, onde defende que regiões com altos índices de feminismos geram
desestabilidade social e econômica.
- Temos que perceber que esse texto não é o único que trata de submissão da parte da esposa, há outros textos como Gn 3:16; 1Co 11:3; 14:34-35; 1Tm 2:11-12; Tt 2:4-5; 1Pe 3:1-6, claro que em cada uma dessas passagens é necessário um estudo contextual para entender o conceito, mas o fato é que em nenhum lugar aparece espaço para que os papeis se invertam.
- Veja bem, o conselho de Paulo é: "Mulheres, sejam submissas e Maridos amem"
Mesmo que isso pareça inflexível, ele não disse: "Entrem em acordo, um se submete e o outro ama..."
Uma
a cada uma feminista que defende os conselhos Paulinos como referentes a um
único grupo em um período determinado nunca pensou que anular a submissão
feminina do texto de Efésios obrigatoriamente anularia o dever masculino de
exercer amor. Você consegue imaginar uma família nesses parâmetros?
O
machismo é uma adulteração satânica dos preceitos dados por Deus, mas o
feminismo é aceitação plena de uma ideia arquitetada diretamente por Satanás
para destruir a imagem de Deus das famílias, e consequentemente, as próprias famílias.
5.
CONCLUSÃO
Em um país onde nossos líderes nos estorquem em prol de suas próprias vontades é difícil entender que o marido lidere a esposa, mas no modelo bíblico, o líder é aquele que mais serve. Cristo foi o maior lider da histório, e foi o que mais serviu dentre eles, porém, aqueles que o seguem devem também estar em conforme com as vontades do líder.
Em um país onde nossos líderes nos estorquem em prol de suas próprias vontades é difícil entender que o marido lidere a esposa, mas no modelo bíblico, o líder é aquele que mais serve. Cristo foi o maior lider da histório, e foi o que mais serviu dentre eles, porém, aqueles que o seguem devem também estar em conforme com as vontades do líder.
Não haveria outro modo de concluir se não: que "as mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor; [...] Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela." (Ef 5:22, 25)
Cristo morreu pela igreja para que a igreja vivesse por Cristo, desse modo, o marido precisa dedicar a sua vida pela felicidade da esposa para que a esposa viva pelo marido.
É o amor do marido que deve gerar submissão da esposa ou a submissão da esposa que deve gerar amor no marido?
O relato bíblico começa exortando as mulheres, porém, quem deve dar o primeiro passo?
VOCÊ!

Como você afirmou, a necessidade de submissão foi estabelecida pela quebra da harmonia conjugal advinda do pecado, certo? E Deus estabeleceu os papéis de cada um, homem e mulher no casamento com o propósito de estabilizar essa sagrada relação, conferindo à mulher o dever da submissão. E se em um casal moderno, onde ambos reconhecem a necessidade da concessão, porém o homem de livre iniciativa abdica do dever de ser o líder no lar e a mulher assim o assume com maestria e satisfação estabelecendo-se assim um consenso mútuo e equilibrado entre as duas partes, como Deus julga essa adaptação?
ResponderExcluirOlá Pensamentosabertos, tufo bem?
ExcluirObrigado pela pergunta.
Olha, é bem difícil responder qualquer pergunta de "como Deus julga?", aqui nós nos entramos num campo perigoso, perceba como qualquer resposta pode ser enganosa:
• Se eu disser que não pode, a reação imediata seria: "então Deus obriga que todo homem precisa ter o dom de liderança?"
• Se eu disser que tudo bem, então estaríamos abrindo uma brecha na disputa por "poder" dentro de um relacionamento, uma vez que "o marido da minha amiga se abdicou da liderança, por que o meu tem tanta dificuldade do o fazer?"
Podemos, porém, achar essa resposta em duas fontes: Bíblia e Academicismo.
Bíblia:
Temos que perceber que esse texto não é o único que trata de submissão FEMININA, há outros textos como Gn 3:16; 1Co 11:3; 14:34-35; 1Tm 2:11-12; Tt 2:4-5; 1Pe 3:1-6 claro que em cada uma dessas passagens é necessário um estudo contextual para entender o conceito, mas o fato é que em nenhum lugar aparece espaço para que os papeis se invertam.
Veja bem, o conselho de Paulo é: "Mulheres, sejam submissas e Maridos amem"
Mesmo que isso pareça inflexível, ele não disse: "Entrem em acordo, um se submete e o outro ama..."
Academicismo:
Para apresentar esse projeto na faculdade tive de pesquisar em dezenas de fontes, claro que para o blog eu resumi o trabalho para menos de 1/3 para não ficar cansativo, mas dentro todas as fontes que pesquisei, não encontrei um só artigo científico ou tese doutoral que indique os benefícios de uma família matriarcal. Pelo contrário, muitas teses e artigos redigidos por mulheres inclusive, afirmam a necessidade da ordem patriarcal no lar, mostrando resultados como aumento de divórcio, infidelidade conjugal, depressão, rebeldia, má compreensão do papel de Deus e até ojeriza à organizações religiosas, surgindo frases como "Jesus sim, Igreja não."
Encontrei sim, artigos feministas que defendiam a independência feminina e justificavam com argumentos como "Isso trás igualdade a todos". Isso é lindo, mas nenhum artigo fundamentado mostrou ao menos a possibilidade de sociedades matriarcais crescerem com sucesso, a exemplo da sociedade Cicládica, Minóica, Egípcia (mesmo que sendo ginecocrática apenas simbolicamente), Celta, Amazona, Icamiamba e Elamita, todas (exceto o Egito talvez) enfrentando fortes dificuldades sociais e mesmo econômicas, causado, dizem os estudiosos, pela ginecocrastia, sendo os Cretenses (Minóicos, que são os que mais se tem registros e certezas) conhecidos pela sua falta de tato com as pessoas e constantes guerras e crises internas (cerca de 14 crises/guerras para cada crise/guerra entre os contemporâneos gregos), além de promíscuos e iracundos.
Para encurtar, como Deus julga então?
Não sei! Diferente de pecados como assassínio, adultério e outros, Deus nunca disse o que aconteceria com quem descumprisse esse conselho, apenas admoesta.
Mas então é pecado?
Ele também não disse que sim ou que não, ele só disse: "Mulheres, sejam submissas a vossos maridos... Maridos, amem vossas mulheres..."
Espero ter ajudado, qualquer coisa ficarei feliz em responder.